O que pensa dos textos clássicos?

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Leituras Integrais das peças

Dia 4 e dia 5 de Outubro, às 22h00, vamos apresentar a leitura integral das peças de teatro de Molière que temos estado a trabalhar. Dia 4 vamos ler «O Misantropo» e dia 5 vamos ler «O Burgês Fidalgo». Não percam!

Os vossos comentários finais serão preciosos para o desenvolvimento futuro destes trabalhos!

Na primeira semana contámos com a colaboração de 93 pessoas que nos fizeram críticas e sugestões, comentários... pudemos confirmar o riso imediato, a adesão total ao «Burguês Fiadalgo», por um lado, e, por outro lado, a riqueza dramatúrgica de «O Misantropo» - sobre esta última peça, novas e refrescantes leituras têm sido propostas; a mais radical partiu da análise de Luísa Costa Gomes! «O Misantropo» sendo uma obra difícil é, de facto, uma obra fascinante, que apetece explorar, explorar, explorar...

Amigas e amigos, contamos com a vossa presença no próximo fim de semana! Estamos certos de que este processo enriquece e estimula cada participante!

Entretanto, continuaremos a ter sessões de trabalho abertas ao público na quinta feira dia 2 de Outubro e na sexta feira dia 3 de Outubro entre as 18h00 e as 20h00!

Beijos e abraços!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Primeira Sessão Aberta Realizada



Vasco Graça Moura, tradutor de O Misantropo, e Maria João Brilhante, professora da Faculdade de Letras de Lisboa, foram os nossos convidados especiais da primeira sessão de trabalho do projecto Molière, Molière!Modo de Usar, aberta à colaboração e participação do público. 53 pessoas participaram nesta viva e participada sessão.



Vasco Graça Moura chamou a atenção para a questão do inevitável envelhecimento das traduções, por comparação com os textos originais.


Sobre O Misantropo chamou a atenção para a delicada questão do verso alexandrino, da ausência da sua tradição entre nós, da especial cadência que aquele tipo de métrica envolve. Alertou ainda para uma outra dificuldade que tem a ver com o vício de os portugueses comerem sílabas, o que vem já desde Camões!


Para lá das questões da tradução e da linguagem de O Misantropo, pouco familiar ao público actual, Vasco Graça Moura chamou ainda a atenção para a questão da dicção e da articulação que os actores neste tipo de trabalho têm de apurar extremamente, sob pena de o público «desligar».
Outra dificuldade pode ser, também, o tratamento feito pelos personagens entre si, (feito na segunda pessoa do plural), ao qual não estão habituados, hoje em dia, nem actores nem espectadores.


Estes alertas, aqui por nós muito sintetizados, foram alguns dos recados deixados e explicados pelo tradutor que demonstrou uma grande preocupação com a recepção do texto O Misantropo por parte do público actual.



Maria João Brilhante fez reparar na importância da descoberta da energia e do ritmo nas comédias de Molière, ou seja, considerou que o actor, apesar de tudo, tem algum caminho facilitado ao se apropriar destes textos uma vez que o corpo do actor os reconhece, naturalmente, uma vez que os mesmos estão carregados de energia e de ritmo.



Maria João Brilhante fez notar que O Misantropo é uma comédia diferente de outras uma vez que neste texto o herói não comanda a intriga - o que se privilegia neste texto é o debate, o confronto, a partir de uma verdadeira batalha verbal! Mas uma batalha verbal intelectual, não arruaceira. Em O Misantropo, na cena primeira do acto primeiro, assistimos a um debate intelectual entre Alceste e Filinto, um esgrimir de argumentos que se passa no interior de uma casa.



Os actores leram primeiro numa leitura branca, depois com representação, a referida cena primeira do primeiro acto - João Didelet interpretou Alceste e Mário Redondo o Filinto. Houve ainda uma terceira vez em que ambos, e por sugestão da actriz Graça Lobo, se tomaram de acesa discussão, como se entrassem mesmo em confronto físico.



Das três situações, o restante público manifestou especial interesse com a questão da compreensão dos argumentos que cada personagem defende, para lá da compreensão imediata da discussão geral. Para tal, a velocidade com que os actores dizem o texto não pode ser excessiva, não se devendo confundir energia com força, nem velocidade com ritmo.


Enfim, para todos ficou claro um conjunto de regras para um mínimo de compreensão de O Misantropo: o respeito pela métrica, a necessária articulação, o ritmo permanente com uma clara noção de velocidade e uma energia argumentativa, de paixão convicta na defesa dos argumentos.


Da leitura dos dois primeiros actos de O Burguês Fidalgo, na tradução de Guedes de Oliveira, de 1921 e disponível na Biblioteca Nacional, Maria João Brilhante chamou a atenção para a voz e para o corpo que este texto faz passar através, também, do modo caricatural como são abordados todos os personagens.


Este texto permite aos actores atingirem os seus limites, podem somar criatividade até onde a comédia os permita ir. E logo na primeira leitura isso aconteceu, provocando imediatas gargalhadas entre o público.





Escrito assim, despreocupadamente, apanhando estas e outras ideias, que foram discutidas como um verdadeiro trabalho de equipa. Até dia 5 de Outubro esta primeira fase do trabalho, continua!


Agradecemos a José Frade e à Egeac a cedência da fotografia.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Molière!Molière! Modo de Usar Apresentação

Molière! Molière! Modo de Usar.

Os Clássicos. Como e porquê?
Esta é uma interrogação que surge de quando em quando no nosso horizonte, a propósito dos mais variados autores.

O Grupo Cassefaz (Com direcção de Miguel Abreu e Ana Tamen), vai organizar no Teatro São Luiz, em Lisboa, um ciclo de iniciativas (palestras, debates, ensaios abertos ao público, leituras encenadas e comentadas, etc…) em torno do autor Molière.

A questão que levantamos gira em torno desta interrogação: «A comédia de Molière nos nossos dias: Como abordar?»

Queremos interrogar a sua actualidade, discutir visões desafiantes de encenadores e especialistas do século XX, e propor, numa reflexão conjunta, novos olhares neste início do século XXI.

Perguntámo-nos por que razões, nos últimos anos, a maior parte das comédias de Molière, à excepção de D. João – que, só a custo, poderá ser considerada comédia, - têm sido tão pouco representadas nos palcos portugueses. Várias são as perguntas que poderão ser levantadas neste fórum de debate que se quer aberto a vários públicos: o seu sentido de comédia, está datado? Já não tem actualidade? O sentido de humor anglo-americano está na ordem do dia? Quais as características do humor de Molière? Não é suficientemente livre e subversivo? Existe demasiada subjugação à ordem e ao poder? Etc, etc, etc…

Gostaríamos que esta iniciativa tivesse uma componente de reflexão teórica, mas também, uma componente prática de “mise-en-scène”, experimentação ao vivo com os actores, e abertura a diferentes perspectivas de vários artistas e fazedores de teatro, bem como à participação do público em geral.


As leituras – espectáculo incidirão sobre: «O Misantropo» e «O Burguês-Fidalgo» mas outras peças poderão também ser objecto de reflexão e leitura.

Jardim de Inverno
São Luiz – Teatro Municipal
Chiado – Lisboa

Sessões de Trabalho abertas ao público: Dias 25 e 26 de Setembro, 1 e 2 de Outubro, entre as 18h00 e as 20h00

Leituras Encenadas e Comentadas, abertas ao público: Dias 27 e 28 de Setembro, 4 e 5 de Outubro, às 22h00

Entrada Livre


Actores: Adelina Braga, Cristina Bizarro, Elmano Sancho, João Didelet, Marina Albuquerque, Mário Redondo, Miguel Sopas, Patrícia André, Tiago Porteiro, Samuel Alves.

Colaborações nos debates: Vasco Graça Moura, Maria João Brilhante, Ricardo Araújo Pereira, entre outros.

Direcção Geral: Ana Tamen, Miguel Abreu